Se o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, já terá uma enorme dor de cabeça para explicar os relatórios do Ministério Público que apontam um desastre administrativo na assistência social do município, maior ainda pode ser a dor de cabeça do ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, para explicar a lambança envolvendo a engorda da praia de Ponta Negra.
O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte ingressou com uma ação civil pública contra o município de Natal, classificando as obras de alargamento e drenagem da principal praia da capital como um verdadeiro “simulacro de engenharia”. Segundo o MPF, o que deveria ser um cartão-postal da cidade acabou transformado em um cenário de “calamidade sanitária”.
A denúncia aponta irregularidades consideradas “escabrosas” em uma obra que custou R$ 100 milhões. Entre elas, segundo o MPF, estão a instalação de “tubulações falsas” e o bloqueio proposital de galerias com concreto e rochas, provocando a formação de “lagoas” na faixa de areia em dias de chuva.
Ainda de acordo com os procuradores, foram identificados tubos de saída com bordas dobradas contra o fluxo da água e galerias propositalmente obstruídas, comprometendo completamente o funcionamento do sistema de drenagem.
Para os procuradores, o acúmulo de água tornou-se um símbolo do fracasso técnico da obra. O relatório menciona pontos com “odores fétidos” e até atração de uma “infestação de roedores”. Além disso, foram identificados 39 imóveis com ligações clandestinas de esgoto e despejo irregular de águas servidas diretamente na rede de drenagem, expondo a população ao risco de doenças como a leptospirose.
O MPF afirma ainda que a Prefeitura mantém o empreendimento em um estado de “cegueira técnica” e se recusa a apresentar projetos executivos e memórias de cálculo atualizadas.
Fico curioso para ver como Álvaro Dias irá explicar tamanha sucessão de problemas. E não vale recorrer ao discurso de perseguição política. O que está sendo apontado são falhas técnicas graves, que expõem o descalabro de uma das obras mais importantes e simbólicas da capital potiguar.
E o que certamente não vai faltar é papelada nas mãos dos adversários para confrontar Álvaro no momento oportuno. Vai ser difícil explicar o que, hoje, parece inexplicável.
Fonte: Blog do Neto Queiroz