O empresário Elon Musk não esteve presente na oitiva voluntária convocada pela Justiça francesa na última segunda-feira (20), referente a uma investigação sobre sua rede social X. A promotoria de Paris comunicou à agência de notícias AFP que notou a ausência das pessoas convocadas, embora não tenha mencionado Musk diretamente.
A convocação foi emitida em fevereiro, após buscas nos escritórios do X em Paris, e faz parte de um inquérito que começou em janeiro de 2025. A investigação apura alegações de que o algoritmo da plataforma foi utilizado para interferir na política na França. Além de Musk, a ex-diretora-geral da empresa, Linda Yaccarino, também foi chamada para depor, bem como outros funcionários do X na condição de testemunhas.
O inquérito, além de focar na suposta manipulação política, se expandiu para investigar outros crimes, incluindo a cumplicidade na disseminação de pornografia infantil. O assistente de IA Grok, presente na rede social, tem sido acusado de gerar e divulgar conteúdos com informações erradas e imagens de teor sexual. A plataforma nega qualquer irregularidade, considerando a ação como “abusiva”. Recentemente, Musk também manifestou descontentamento com as autoridades francesas através de postagens na própria plataforma.
Apesar da ausência de Musk e Yaccarino, o Ministério Público da França afirmou que isso não impede o andamento das investigações, já que não têm poder de coercitividade para obrigar alguém a comparecer à oitiva. Parallelamente, a investigação sobre o X está em sintonia com movimentos internacionais que demonstram preocupação em relação ao uso do Grok, que foi utilizado de maneira indiscriminada para sexualizar imagens de mulheres e crianças. Um relatório revelou que cerca de 3 milhões de imagens sexualizadas foram geradas em apenas 11 dias na plataforma.
Recentemente, a União Europeia iniciou sua própria investigação sobre o X, focando no conteúdo produzido pelo Grok. Além disso, Musk recebeu apoio do cofundador do Telegram, Pavel Durov, que também está sendo investigado pela Justiça francesa. Durov criticou a abordagem da França, sugerindo que o governo de Emmanuel Macron está perdendo legitimidade ao utilizar investigações criminais para cercear a liberdade de expressão e a privacidade.
Fonte: G1