O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (2) a anulação de um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, promovido pela Petrobras. A decisão foi tomada após a venda do produto às distribuidoras por valores até 100% superiores aos da tabela oficial da estatal. Em entrevista à TV Record Bahia, Lula classificou o certame como uma “cretinice, bandidagem”, feito “contra a vontade da direção da Petrobras”, e garantiu que “o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”.
Apesar de o Brasil ser produtor, o mercado nacional de combustíveis é sensível às flutuações dos preços internacionais, atualmente exacerbadas pelo conflito no Oriente Médio. Leilões com alto ágio, como o questionado, são interpretados como uma estratégia para ajustar os preços internos ao cenário global sem anunciar aumentos diretos na tabela. Lula criticou a grande diferença entre o preço de venda da Petrobras (R$ 37 por botijão, com valores inalterados desde novembro de 2024) e o custo final para o consumidor (que pode chegar a R$ 160), levantando a suspeita de que “alguém está roubando” na cadeia de distribuição. Em resposta a essa disparidade, o governo federal já havia lançado o programa Gás do Povo, substituindo o antigo Auxílio Gás, para garantir o botijão gratuito a famílias de baixa renda.
O presidente também estendeu suas críticas à alta dos combustíveis em geral, especialmente o óleo diesel, impactado pelos custos do petróleo internacional. Para conter a escalada de preços, que afeta diretamente a inflação, o governo já adotou medidas como a redução de impostos e planeja uma medida provisória para subsidiar o diesel importado em R$ 1,20 por litro. Lula condenou o aumento injustificado de preços por parte de alguns postos, que ele chamou de “pura bandidagem”, e lamentou o impacto de privatizações anteriores, como a da BR Distribuidora em 2019 e da Refinaria de Mataripe em 2021. Segundo ele, essas empresas, se ainda sob controle estatal, poderiam atuar como reguladoras de preços, garantindo um melhor equilíbrio para o consumidor brasileiro. A recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, está atualmente em estudo.
Fonte: Agência Brasil