O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou o tema da reciprocidade após o governo dos Estados Unidos solicitar a saída de um delegado da Polícia Federal. Esse delegado está vinculado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, ocorrido em território americano. Lula fez essa declaração durante uma coletiva com jornalistas enquanto realizava uma viagem à Alemanha.
“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano em relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, afirmou Lula.
Na segunda-feira, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou que havia pedido a remoção de um “funcionário brasileiro” do país. Embora não tenha identificado a pessoa, a comunicação indicava que se tratava do delegado da Polícia Federal que participou da detenção de Ramagem. O comunicado foi divulgado nas redes sociais, informando que o servidor teria tentado driblar os processos formais de cooperação jurídica.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e extender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, destacaram as autoridades americanas. Ramagem, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), teve sua prisão resultante de uma cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos e, após dois dias detido, foi solto na última quarta-feira.
Ele fugiu para os EUA após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por crimes relacionados a uma tentativa de golpe. O ministro Alexandre de Moraes havia determinado, em dezembro de 2025, que um pedido formal de extradição fosse encaminhado aos Estados Unidos. A Polícia Federal enfatizou que a detenção de Ramagem foi consequência direta desse trabalho conjunto entre os dois países, considerando-o foragido da Justiça brasileira.
Fonte: agenciabrasil