Governo Trump diz ao Congresso dos EUA que guerra com Irã está ‘encerrada’

A Casa Branca comunicou ao Congresso, por meio de uma carta enviada nesta sexta-feira (1º), que as hostilidades com o Irã “foram encerradas”, mesmo com a presença de tropas americanas na região ainda em vigor. A mensagem do presidente Donald Trump praticamente ignora o prazo legal que se encerraria na quinta-feira (30), o qual estabelecia que o Congresso deveria autorizar a continuidade da guerra. Esse limite estava prestes a expirar sem que os republicanos tomassem qualquer iniciativa, uma vez que muitos têm evitado confrontar o presidente.

Na carta, Trump destaca o uso agressivo dos poderes presidenciais na condução do conflito, que teve início há dois meses sem a aprovação do Congresso. “As hostilidades que começaram em 28 de fevereiro de 2026 foram encerradas”, escreveu o presidente ao presidente da Câmara, Mike Johnson, e ao presidente pro tempore do Senado, Chuck Grassley. No entanto, Trump deixou claro que a situação ainda é preocupante e distante de uma resolução definitiva.

O presidente enfatizou que, apesar dos êxitos das operações militares dos Estados Unidos contra o regime iraniano e dos esforços para alcançar uma paz duradoura, a ameaça do Irã permanece significativa para os EUA e suas Forças Armadas. Segundo a Lei de Poderes de Guerra de 1973, o Congresso deve declarar guerra ou autorizar o uso da força em até 60 dias — prazo que se esgotou na quinta-feira — ou até 90 dias, se o presidente solicitar a extensão. O Congresso não tomou nenhuma medida para cumprir essa regra e entrou em recesso uma semana após o Senado rejeitar, pela sexta vez, uma proposta democrata para barrar a guerra.

O governo Trump tem demonstrado desinteresse em buscar autorização do Congresso, argumentando que o prazo não se aplica devido ao cessar-fogo instável iniciado no começo de abril. O líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou que não pretende pautar uma votação para autorizar o uso da força no Irã, alegando estar ouvindo os membros do partido, mas não vê tal ação acontecendo neste momento. A resistência em confrontar Trump se dá em um contexto politicamente delicado para os republicanos, que enfrentam uma crescente insatisfação popular tanto com o conflito quanto com o aumento nos preços dos combustíveis.

Apesar disso, a maioria dos republicanos ainda apoia a condução da guerra ou prefere dar mais tempo ao presidente diante do cessar-fogo precário. Alguns senadores, como a republicana Lisa Murkowski, expressaram a intenção de apresentar uma autorização limitada para o uso da força quando o Senado retornar do recesso, caso o governo não traga um plano considerado “crível”. Outros senadores, como Susan Collins, que votou com os democratas tentando barrar o conflito, pedem uma estratégia clara para finalizar a guerra, argumentando que a autoridade presidencial não é ilimitada, e que a necessidade de uma autorização não deve ser vista como mera sugestão.

O governo, por sua vez, defende que o prazo legal não se aplica, afirmando que a lei lhe confere 60 dias após notificar o Congresso sobre hostilidades militares, podendo haver uma extensão de 30 dias para garantir a retirada segura das tropas. Com o prazo se encerrando, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, comentou em audiência que o cessar-fogo suspende a contagem do tempo. Apesar disso, democratas contestam essa interpretação, alegando que o uso contínuo de meio militares mantém o prazo em vigor. O deputado Adam Smith, importante figura na oposição, expressou ceticismo sobre a disposição do governo Trump de cumprir a legislação vigente.

Fonte: G1

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