Hermano Morais tenta apagar o passado, mas não consegue fugir da própria responsabilidade

O deputado estadual Hermano Morais vive hoje um curioso exercício de conveniência política. Em vídeos e declarações recentes, o parlamentar passou a atacar o Governo Fátima Bezerra, como se fosse um observador externo, alheio às decisões, erros e rumos da gestão estadual. O problema é que os fatos não acompanham o discurso.

Hermano Morais fez parte, de forma direta e ativa, dos oito anos de governo de Fátima Bezerra. Foi eleito deputado estadual pela federação que tinha o PT como força central, sustentou politicamente o governo na Assembleia Legislativa e ocupa, por meio de indicações, inúmeros cargos estratégicos na estrutura administrativa do Estado. Não foi espectador — foi protagonista.

Durante todo esse período, Hermano jamais se colocou como oposição. Ao contrário, integrou a base governista, defendeu projetos, votou matérias essenciais e se beneficiou politicamente da engrenagem que agora tenta desqualificar. Se hoje aponta falhas, atrasos ou erros administrativos, precisa reconhecer: ele também ajudou a construir esse governo.

Causa estranheza, portanto, que o deputado agora caminhe ao lado do prefeito Allyson Bezerra, adotando um discurso crítico e seletivo, como se tivesse descoberto problemas que, por oito anos, fingiu não ver — ou preferiu silenciar. A mudança de postura não parece fruto de um despertar tardio de consciência, mas sim de uma reacomodação eleitoral.

Na política, críticas são legítimas. O que não é aceitável é a tentativa de reescrever a própria história. Não se pode, ao mesmo tempo, usufruir dos espaços de poder, indicar cargos, participar das decisões e, depois, posar de isento ou opositor indignado.

Se houve erros no governo Fátima Bezerra — e todo governo os tem — Hermano Morais não pode se eximir da responsabilidade. Quem ajudou a sustentar, governar e decidir também deve responder politicamente pelos resultados.

O eleitor potiguar merece coerência, memória e verdade. E os fatos mostram que Hermano Morais não critica um governo do qual foi vítima, mas um governo do qual foi parte.

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