O Ministério de Minas e Energia (MME) instituiu uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar diariamente as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis. A iniciativa, que atua em articulação com órgãos reguladores e agentes do setor, visa intensificar o monitoramento das cadeias globais de suprimento de derivados de petróleo, da logística nacional e dos preços dos principais produtos. Tal medida é uma resposta direta ao conflito no Oriente Médio, a maior região exportadora de petróleo do mundo, detentora de cerca de 60% das reservas globais. Além disso, a pasta ampliou as interlocuções com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e outros agentes de mercado.
O principal objetivo do MME é identificar rapidamente eventuais riscos ao abastecimento do país e coordenar as medidas necessárias para preservar a segurança energética e a normalidade do fornecimento de combustíveis. Apesar do cenário de instabilidade geopolítica, a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada até o momento. O país é exportador de petróleo bruto e importa parte de seus derivados, especialmente diesel; contudo, a participação de países do Golfo Pérsico como fornecedores de derivados de petróleo para o Brasil é relativamente pequena.
Em um desdobramento relacionado, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma análise sobre os recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em quatro estados e no Distrito Federal. A demanda surgiu após representantes de sindicatos informarem que distribuidoras elevaram seus preços de venda para os postos, justificando a alta com o preço internacional do petróleo e o conflito no Oriente Médio. É importante ressaltar que, até o momento, a Petrobras não anunciou qualquer aumento nos preços praticados em suas refinarias. A Senacon pediu que o Cade avalie possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência ou indicar tentativa de influência para adoção de conduta comercial uniforme entre concorrentes.
Fonte: Agência Brasil