O lançamento da pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ao Governo do Rio Grande do Norte veio embalado em um discurso sedutor: falar de soluções e superar a “velha política”. No entanto, a imagem construída no palco do evento contrasta com a realidade das alianças que sustentam o projeto. Ao prometer um “RN do futuro”, Allyson aparece abraçado justamente a ex-governadores e grupos políticos que, ao longo dos anos, ajudaram a construir os problemas que hoje afligem o estado.
A contradição é evidente. Como falar em renovação e soluções concretas quando o projeto se ancora em figuras que já governaram o Rio Grande do Norte e deixaram um legado conhecido de dificuldades administrativas, crises financeiras e políticas públicas mal resolvidas? O discurso novo soa vazio quando sustentado por práticas e alianças antigas.
Outro ponto que chama atenção é a renúncia antecipada à Prefeitura de Mossoró, tratada como mera formalidade. A cidade vira trampolim eleitoral, enquanto o prefeito tenta vender ao eleitor potiguar a imagem de gestor eficiente, agora em escala estadual, sem explicar como replicar esse modelo ao lado das mesmas forças que travaram o desenvolvimento do RN no passado.
O eleitor potiguar não está cansado apenas de discursos sobre problemas, mas também de soluções fáceis apresentadas por projetos que reciclam velhos protagonistas. O Rio Grande do Norte precisa de propostas consistentes e coerentes — não de candidaturas que prometem o novo enquanto caminham de mãos dadas com o passado.