O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou o bloqueio econômico e energético imposto pelos Estados Unidos (EUA) contra a ilha caribenha como uma “política genocida”. Em entrevista à Agência Brasil em Brasília, o diplomata afirmou que as medidas visam privar a população cubana de seus meios de subsistência. O embargo, que já dura 66 anos desde a Revolução Cubana de 1959, foi intensificado recentemente por uma nova Ordem Executiva do ex-presidente Donald Trump. Emitida em 29 de janeiro, a medida designou Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança de Washington, justificando o alinhamento de Havana com Rússia, China e Irã. A decisão de Trump prevê a imposição de tarifas comerciais a qualquer país que forneça petróleo a Cuba, agravando a crise energética de um país que, até 2023, dependia de derivados de petróleo para cerca de 80% de sua energia, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
Curbelo reiterou que “sem energia, tudo fica comprometido”, acusando os EUA de “condenar o povo cubano ao extermínio” ao impedir a importação de petróleo, o que também viola a soberania de outras nações. Em 5 de fevereiro, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel já havia denunciado a decisão de Trump como uma tentativa de derrotar a Revolução Cubana. O embaixador descreveu a situação como uma “guerra não convencional” com efeitos “devastadores”, levando Cuba a adotar medidas de austeridade extrema, como priorizar hospitais, escolas e residências com necessidades especiais. O país tem investido na autossuficiência energética, intensificando a extração e o refino de petróleo local, além de ampliar significativamente o uso de energia solar fotovoltaica. No ano passado, foram instalados painéis solares para gerar mil megawatts, elevando a participação da energia solar de 3% para 10% da geração elétrica total e atingindo quase 40% da geração diurna do país. A falta de combustível, no entanto, impacta setores como o turismo, com empresas de aviação suspendendo voos.
Apesar dos desafios, Curbelo destacou a rejeição generalizada da política dos EUA pela comunidade internacional. O Movimento Não Alinhado, que representa a maioria dos países do Sul Global, emitiu uma declaração condenando a ordem. Rússia, China e México demonstraram solidariedade, com a China doando 70 mil toneladas de arroz e o México enviando mais de 900 toneladas de ajuda humanitária. O embaixador apelou por “solidariedade prática” e ação, citando José Martí: “fazer é a melhor maneira de falar”. Cuba mantém sua decisão inabalável de defender sua soberania e independência, e expressa disposição para um diálogo respeitoso e em pé de igualdade com os EUA, desde que não haja interferência em seus assuntos internos. A ilha se posiciona em defesa da América Latina como uma zona de paz, resistindo à imposição da “lei do mais forte”.
Fonte: Agência Brasil