Babá deixará a Femurn após cumprir seu projeto político e usar a entidade como trampolim eleitoral

A confirmação de Babá Pereira (PL) como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Álvaro Dias (Republicanos) escancarou o que já era apontado nos bastidores da política potiguar: a presidência da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) serviu como instrumento de projeção política pessoal. Agora, após alcançar o objetivo maior — integrar uma chapa majoritária ao Governo do Estado — Babá anuncia que deixará o comando da entidade até o fim de fevereiro.

A saída acontece depois de Babá ser oficialmente anunciado vice de Álvaro e, convenientemente, antes do prazo máximo exigido pela Lei Complementar nº 64/1990, que determina o afastamento de dirigentes de entidades representativas de classe pelo menos seis meses antes das eleições. Embora pudesse permanecer no cargo até o início de abril, Babá optou por antecipar sua saída, numa tentativa de conferir um verniz ético a um movimento claramente calculado.

Durante o evento Conexão CNM, em Natal, Babá afirmou que sempre manteve uma postura “apartidária” à frente da Femurn e que deixará o cargo “em respeito” aos prefeitos que estarão em palanques adversários. O discurso, no entanto, não apaga o fato de que a presidência da entidade foi usada como vitrine política, ampliando seu trânsito entre prefeitos e fortalecendo sua imagem para viabilizar o projeto eleitoral que agora se concretiza.

Eleito presidente da Femurn em janeiro de 2025, Babá Pereira obteve 109 votos contra 52 do então adversário Pedro Henrique (PSDB). Desde então, ocupou um dos cargos mais estratégicos da política municipalista do Estado, posição que lhe garantiu visibilidade, articulação e influência — ativos fundamentais para quem pretendia dar um salto rumo a uma disputa estadual.

Com sua saída, quem deve assumir a presidência da Femurn é o atual vice-presidente e prefeito de Portalegre, Zé Augusto (União). O estatuto da entidade ainda prevê que Babá possa retornar ao comando em caso de derrota eleitoral, o que reforça a percepção de que a federação foi tratada como um espaço de uso temporário, ajustado às conveniências do projeto pessoal do agora candidato.

O episódio reforça críticas recorrentes sobre a instrumentalização de entidades representativas para fins eleitorais. Babá deixa a Femurn não por esgotar seu mandato ou concluir um ciclo institucional, mas porque já extraiu dela o que precisava: capital político suficiente para se lançar como vice na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte.

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