Mineiro avisou: uso político da FEMURN pavimentou ascensão de Babá Pereira à vice da chapa de oposição

O alerta foi feito ainda durante a disputa pela presidência da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), mas hoje ganha contornos de confirmação. À época, o deputado federal Fernando Mineiro (PT) afirmou que Babá Pereira pretendia transformar a entidade em uma “máquina eleitoral” com foco nas eleições de 2026. Meses depois, a escolha de Babá como pré-candidato a vice-governador na chapa de oposição evidencia que a crítica não era retórica política, mas a leitura antecipada de um projeto em curso.

Ex-prefeito de São Tomé e então candidato ao comando da FEMURN, Babá foi acusado por Mineiro de querer “dar as cartas” na entidade municipalista para colocá-la a serviço de interesses eleitorais majoritários, distanciando-se do papel institucional de fortalecimento dos municípios e da busca por soluções conjuntas para os desafios da gestão pública local. À época, Mineiro chamou atenção para o fato de Babá se apresentar como “oposição radical” ao presidente Lula e à governadora Fátima Bezerra, transformando a disputa interna da federação em uma prévia da sucessão estadual.

O processo eleitoral na FEMURN acabou se convertendo em um verdadeiro cabo de guerra político, envolvendo de um lado o senador Rogério Marinho e o senador Styvenson Valentim, apoiadores de Babá, e do outro a governadora Fátima Bezerra, o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, e o vice-governador Walter Alves, que apoiaram a candidatura do prefeito Pedro Henrique, de Pedra Grande. A entidade, que deveria atuar como espaço de unidade municipalista, foi arrastada para o centro de uma disputa claramente voltada à montagem de palanques para 2026.

Durante o embate, surgiram denúncias cruzadas de chantagem e pressão sobre prefeitos, envolvendo supostas ameaças de retirada de emendas parlamentares e promessas de obras em troca de apoio. O clima de tensão reforçou a percepção de que a FEMURN estava sendo instrumentalizada como ativo político, e não como instituição voltada ao interesse coletivo dos municípios potiguares.

Mineiro foi direto ao afirmar que o objetivo de Babá não seria fortalecer as relações federativas nem construir parcerias para enfrentar os problemas reais das cidades, mas sim utilizar o espaço institucional da federação como trampolim para um projeto eleitoral pessoal e de grupo. “Os prefeitos aceitarão o controle de sua entidade por alguém mais preocupado com 2026 do que com os desafios concretos da gestão municipal?”, questionou o parlamentar na ocasião.

Agora, com Babá confirmado como vice na chapa encabeçada por Álvaro Dias, o roteiro parece se completar. A FEMURN, que deveria estar a serviço do municipalismo, surge retrospectivamente como peça estratégica de um movimento político que tinha como objetivo ampliar visibilidade, construir alianças e consolidar uma candidatura estadual de oposição.

A sequência dos fatos reforça a avaliação de que o uso político da entidade não foi um desvio pontual, mas parte de um plano calculado. O alerta foi dado, o caminho foi percorrido e o resultado está posto. Resta ao eleitor avaliar se esse modelo, baseado na instrumentalização de instituições representativas, é o que o Rio Grande do Norte precisa para seguir avançando — ou se representa, como apontado desde o início, um risco de retrocesso.

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