Câmara mira Brisa mais uma vez e faz vista grossa para acusações mais graves contra Matheus Faustino e Luciano Nascimento

A Câmara Municipal de Natal voltou a demonstrar, nesta quarta-feira (26), que seus critérios para abertura de processos disciplinares passam longe da isonomia e da responsabilidade institucional. Mesmo após quatro decisões judiciais favoráveis à vereadora Brisa Bracchi (PT) e do arquivamento do processo anterior por falta de provas, a Casa decidiu abrir mais uma investigação que pode levar à sua cassação.

O que se viu, na prática, foi a repetição da estratégia política denunciada desde o início: uma nova ofensiva contra Brisa, enquanto acusação muito mais grave contra outros dois vereadores foi simplesmente engavetada.

Nesta mesma semana, os parlamentares rejeitaram pedidos de investigação que pesavam sobre:

Luciano Nascimento (PSD), denunciado por suposto uso de recursos públicos para promover seu próprio aniversário, algo que, caso comprovado, configura irregularidade séria envolvendo dinheiro do contribuinte;

O próprio Matheus Faustino (União Brasil), acusado de quebra de decoro ao afirmar que um desembargador teria vendido uma decisão judicial favorável a Brisa — uma imputação gravíssima, que atinge não apenas uma colega de plenário, mas o Judiciário como um todo.

Mesmo assim, as denúncias contra os dois foram enterradas sem cerimônia. Já a denúncia reapresentada por Matheus — com os mesmos elementos do processo que foi arquivado — foi rapidamente acolhida pela Câmara e transformada em mais uma comissão especial contra Brisa.

A vereadora reagiu afirmando o que já vinha alertando:
“É perseguição. É violência política de gênero. É uma ação orquestrada pela extrema direita e liderada por Matheus Faustino. Natal tem problemas urgentes, mas a Câmara prefere abrir mais um processo sem provas para atender interesses políticos mesquinhos.”

A decisão reforça a percepção crescente de que o Legislativo municipal está disposto a assumir mais desgaste público para alçar perseguições políticas acima da sua função institucional. Mais do que isso: passa a mensagem de que há parlamentares intocáveis, blindados mesmo diante de acusações que, se verdadeiras, são muito mais graves do que aquilo pelo qual se tenta cassar Brisa.

Enquanto isso, questões reais de Natal — mobilidade, saúde, segurança, orçamento, infraestrutura — seguem ignoradas, trocadas pela insistência em um jogo político que já foi desmentido pela Justiça mais de uma vez.

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