Uma pesquisa inédita revela que nove em cada dez moradores de comunidades no Rio de Janeiro desaprovam operações policiais que envolvem confrontos armados, como as que têm ocorrido nos últimos anos na capital fluminense. O estudo foi realizado por seis organizações da sociedade civil e ouviu moradores de quatro comunidades a respeito de como essas operações têm afetado suas vidas.
Participaram da pesquisa 4.080 residentes do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha, entre 13 e 31 de janeiro deste ano. O trabalho foi coordenado por Eliana Sousa Silva, diretora da Redes da Maré. O levantamento foi motivado pelo aumento dos confrontos armados, que na Maré resultaram em 92 operações policiais, com muitas mortes e feridos entre 2023 e 2025.
De acordo com os dados obtidos, 73% dos moradores dos complexos mencionados não concordam com o atual modelo de operações policiais. Quando questionados se essas operações devem continuar do mesmo jeito, 92% se manifestaram contra, sendo 68% a favor de uma abordagem diferente, enquanto 24% afirmaram que nem deveriam ocorrer. Mesmo entre aqueles que apoiam as operações, apenas 20% defendem o modo como estão sendo realizadas.
Além disso, a pesquisa aponta que a maioria dos moradores, 91%, percebem excessos e ilegalidades nas ações policiais, e 90% consideram os abusos inaceitáveis. Eliana Silva enfatiza que para muitos, as operações levam a uma percepção distorcida dos moradores de favelas, que são vistos de maneira negativa, levando à crença de que ações violentas são uma solução para o crime. É crucial, segundo ela, adotar uma visão mais ampla sobre como enfrentar o crime nas comunidades, sem depender apenas de confrontos armados.
Fonte: agenciabrasil