O prefeito de Leandro Varela passou a ocupar posição ainda mais delicada dentro da investigação que apura um suposto esquema de “Caixa 2 de Pix” nas eleições de 2024 em Canguaretama. Novas informações obtidas por fontes ligadas ao inquérito apontam que o próprio gestor teria realizado movimentações financeiras para contas de pessoas investigadas na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), fato que aumentou a pressão sobre a chapa governista e pode acelerar um possível processo de cassação.
A ação tramita na 11ª Zona Eleitoral e investiga suposto abuso de poder econômico, arrecadação ilícita de recursos e omissão de despesas de campanha. O processo foi movido pela coligação “Unidos pelo Trabalho” contra Leandro Varela, o vice-prefeito Erivan de Souza Lima e outros aliados políticos.
De acordo com as informações obtidas pela investigação, o atual secretário de Administração do município, Radan Soares da Costa, apontado como um dos coordenadores financeiros da campanha de 2024, realizou diversos Pix durante o período eleitoral, incluindo transferências diretamente para contas ligadas ao prefeito.
Entre os registros analisados estariam um Pix de R$ 500 realizado em 14 de setembro e outro de R$ 5 mil feito no dia 3 de outubro, já na semana da votação. As movimentações financeiras passaram a ser consideradas um dos principais focos da investigação por terem ocorrido em meio ao período eleitoral e dentro de um contexto de suspeitas de financiamento irregular de campanha.
Outro ponto que aumentou a repercussão do caso foi a informação de que uma das contas de Radan Soares recebeu R$ 20 mil da empresa Plano A, contratada posteriormente pela Prefeitura de Canguaretama para atuar na limpeza urbana através de contratação direta no início da atual gestão.
A investigação também cita movimentações envolvendo Luiz Fernando Varela, filho do prefeito e ex-secretário de Finanças do município, que teria recebido R$ 10 mil via Pix do mesmo operador financeiro investigado.
Segundo a AIJE, recursos teriam sido utilizados para custear eventos políticos, paredões de som, combustíveis e estruturas de campanha sem que os gastos fossem declarados oficialmente à Justiça Eleitoral.
Nos bastidores políticos de Canguaretama, cresce a expectativa pela decisão da juíza Daniela Cosme. Caso as irregularidades sejam confirmadas, a chapa poderá ser cassada, abrindo caminho para novas eleições no município.