A China definiu uma meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para este ano, um objetivo ligeiramente inferior aos fixados em anos anteriores. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (5) pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang, durante a apresentação do relatório de trabalho do governo na sessão de abertura da Assembleia Nacional Popular (ANP), o órgão legislativo máximo do país. A decisão reflete o cenário de prolongada crise no setor imobiliário e as incertezas externas que afetam a segunda maior economia do mundo. Em 2025, a economia chinesa registrou uma expansão de 5%.
O relatório oficial enfatiza a intenção do governo de “alcançar melhores resultados na prática” e busca dar maior margem de manobra para ajustes nas políticas econômicas ao longo do ano. O documento também reconhece abertamente os obstáculos: “Embora reconheçamos as nossas conquistas, também temos plena consciência das dificuldades e desafios que enfrentamos”, afirma o texto. Entre os problemas identificados estão o aumento dos riscos geopolíticos, a ameaça ao comércio livre, o impacto das tarifas dos Estados Unidos nas exportações chinesas (embora haja expansão para outras regiões), e um “acentuado” desequilíbrio interno entre forte oferta e fraca demanda, além do desafio de transicionar para novos motores de crescimento.
A sessão anual da ANP, que reúne cerca de 3 mil delegados e é considerada o principal evento político do país, também deverá aprovar um plano quinquenal que definirá as prioridades políticas e econômicas da China até 2030. Este plano incluirá compromissos para fortalecer a economia doméstica e impulsionar a ambição do Presidente Xi Jinping de transformar o país em líder global em tecnologia. A escolha de um intervalo para a meta de crescimento deste ano visa criar espaço para ajustes estruturais, prevenção de riscos e reformas no primeiro ano do período do plano, buscando estabelecer uma base sólida para os resultados futuros.
Fonte: Agência Brasil